sexta-feira, 27 de agosto de 2010

As pérolas e o sofrimento...




Ostras são moluscos, animais sem esqueleto, macias, que são as delícias dos gastrônomos. Sem defesas – são animais mansos –  seriam uma presa fácil dos predadores.

Para que isso não acontecesse a sua sabedoria as ensinou a fazer casas, conchas duras, dentro das quais vivem.
Havia num fundo de mar uma colônia de ostras, muitas ostras.
Eram ostras felizes. Sabia-se que eram ostras felizes porque de dentro de suas conchas saía uma delicada melodia, como se fosse um canto gregoriano, todas cantando a mesma música.
Com uma exceção: de uma ostra solitária que fazia um solo solitário.
Diferente da alegre música das ostras felizes, ela cantava um canto muito triste. As ostras felizes se riam dela e diziam: “Ela não sai da sua depressão...”
Mas não era depressão. Era dor. Pois um grão de areia havia entrado dentro da sua carne e doía, doía, doía. E ela não tinha jeito de se livrar dele, do grão de areia.
Porém com o tempo ela descobriu que era possível livrar-se da dor, apesar do grão de areia. O seu corpo descobriu que, para se livrar da dor que o grão de areia lhe provocava, em virtude de suas aspereza, arestas e pontas, bastava envolvê-lo com uma substância lisa, brilhante e redonda. Assim, enquanto cantava seu canto triste, o seu corpo fazia o seu trabalho – envolvendo o grão de areia  lhe causava tanta dor.
Um dia passou por ali um pescador com o seu barco. Lançou a sua rede e toda a colônia de ostras, inclusive a sofredora, foi pescada. O pescador se alegrou, levou-as para a sua casa e sua mulher fez uma deliciosa sopa de ostras. Deliciando-se com as ostras de repente seus dentes bateram numa objeto duro que estava dentro da ostra triste. Ele tomou-o em suas mãos e deu uma gargalhada de felicidade: era uma pérola, uma linda pérola. Apenas a ostra sofredora fizera uma pérola. Ele tomou a pérola e deu-a de presente para a sua esposa. Ela ficou muito feliz...”
Ostra feliz não faz pérolas. Isso vale para as ostras e vale para nós, seres humanos. As pessoas que se imaginam felizes simplesmente se dedicam a gozar a vida. E fazem bem. Mas as pessoas que sofrem, elas têm de produzir pérolas para poder viver.
 Assim é a vida dos artistas, dos educadores, dos profetas e daqueles que mudam a cara do mundo!

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